Saudações de chegada! Recentemente tive a oportunidade de conhecer a obra que é Tactics Ogre, em sua versão Reborn, e como somos uma caverna especializada em Final Fantasy, por que não auxiliar nossos orfãos do Final Fantasy Tactics (tirando os Advanced, não comento sobre os Advanced) a encontrar um rumo em que podem encontrar algo de seu gosto? É para isso que estou aqui hoje!
Deixando a informação mais importante primeiro e lhe poupando leitura, a resposta para a pergunta “Tactics Ogre Reborn vale a pena?” é “Sim.”. Para os fãs de FFT, este trailer da versão de 2010 irá bastar para atiçar a curiosidade necessária. Ciente de que existe a versão de 1995 (presa aos Super Nintendos nipônicos em primeiro momento e PS1 alguns anos depois) e de 2010 (PSP), a atenção irá ser dada à versão de 2022, para fins objetivos.
E é claro, esta análise só existe graças a key do jogo cedida pela Square Enix LATAM, o nosso muito obrigado!
Sem mais delongas, ao campo de batalha!
História e Mundo
No mundo de Ivalice (FFT), nós acompanhamos a trajetória de um dos filhos da nobre casa Beoulve, Ramza, por uma série de desavenças e contestações da estrutura social do reino assim como a verdadeira identidade de grandes nomes históricos. Em um primeiro momento, somos apresentados e encarregados de lidar com apenas um grupo, a Corpse Brigade, e gradativamente outros núcleos vão aparecendo, dando tempo de se familiarizar aos poucos até o ápice da Guerra dos Leões e é aqui que entra a primeira diferença.
O Conflito de Heim
Em Tactics Ogre Reborn, por outro lado, temos a história de Denam e Catiua, dois irmãos recém-órfãos após um ataque dos Cavaleiros Negros à sua cidade natal. Como primeira tarefa temos de resgatar um Duque e logo somos inseridos no emaranhado político de Valeria.

Parecem muitos nomes, não é? Concordo. Galgastan, Walister, Bakram, Loslorien, Lodis, Dorgalua, Hierophant, Brantyn, Xenobia e dois Lan(c)selot. Desde as primeiras lutas, e até mesmo no filme que se passa antes do menu principal, o jogo já lhe lança no meio do calor da treta política. A imagem acima pode auxiliar a ter um baque menor que o meu a todo momento em que uma declaração de facção X contra facção Y era feita e tinha de relembrar quem era cada uma mais uma vez. Pode ser complicado começar, mas isto nos levará ao próximo ponto.
A complexidade do contexto trás uma série de possibilidades de caminhos diferentes baseados na escolha do jogador, personagens podem morrer permanentemente, e até mesmo se matar na sua frente, dependendo de que rumo tomou. Isso foi algo muito animador, e desesperador, de se ver para a linearidade do FFT, tanto que quase jogo fora 4 horas de jogo para reverter uma decisão minha, até descobrir que existe uma funcionalidade chamada World Tarot que dá a opção de “voltar no tempo” em certos pontos e ver outros desfechos à partir dali ao finalizar o jogo.
Com toda a ideia dos Zodiac Brave do Final Fantasy Tactics, o lado metafísico/mágico foi mais presente por mais tempo em relação às intrigas políticas de Valeria, que também apresenta um teor mais “outro mundo” apenas em seus últimos momentos, não que seja algo ruim, apenas para ter ciência de que é uma trama mais pé no chão.
Yasumi Matsuno escreveu ambas histórias entre um período de dois anos de diferença, então creio que não seja algo de qual seria melhor, mas qual se encaixaria no gosto de cada um. De um lado, algo mais fantasioso que indaga sobre conceitos de justiça social versus a noção idealista de justiça em seu caminho e, de outro, o mesmo embate, porém inserido em escolhas políticas em um conflito aberto com diversas visões diferentes acerca da guerra.
Gameplay
Aqui nós vamos passar por diversos pontos de maneira mais sucinta para elucidar o que auxilia de um lado ou de outro.
Ordem de turnos
A começar pela ordem dos turnos ficando exposta na tela, auxiliando muito mais a criação de estratégias ao deixar mais fácil visualizar quem deve ser o seu próximo alvo ou sua próxima unidade a ser levantada de volta.

Variedade de classes
Em relação à contraparte de Ivalice, Tactics Ogre traz menos opções de classes potencialmente para compensar a maior quantidade de unidades em batalha (até 5 naquele e até 12 neste) e não sobrecarregar o gerenciamento do combate. A forma de trocar de classe é mais simples, sendo apenas necessário um ticket (as chamadas Marks) para realizar a troca com a unidade mantendo seu nível de experiência, não é necessário um “breeding” de diferentes classes para desbloquear novas.

Batalhas e pontos de experiência
Não existem batalhas aleatórias no mapa-múndi enquanto você vai de um ponto X a um Y, ao invés disso cada cidade traz um mapa de treinamento que se regula às unidades postas a treinamento. Por exemplo, um grupo de unidades level 1 enfrentará unidades de level 1 mesmo que você possua unidades level 50 treinadas. Ainda mais, unidades caídas nesse treinamento não morrem, apenas somem da batalha e mesmo assim ganham pontos de experiência em caso de vitória, é bem mais simples de se treinar considerando que a IA pode lidar com isso tranquilamente (deixava farmando enquanto fazia outras coisas, só voltava para confirmar a vitória e colocar outra rodada). Alternativamente, certas batalhas irão dar charms de EXP como recompensas a objetivos secundários nos mapas, ou atingir ao nível máximo para aquele ponto da história, o excedente toma a forma destes itens também, como o rare candy de Pókemon.
Ainda sobre os níveis de experiência, TOR traz o conceito de Union Level, é o nível máximo que todas as unidades podem atingir em dado ponto da história que só aumenta ao progredir. As unidades das lutas da campanha principal normalmente vem um nível acima das suas, e como existe esse limite, instigando o lado tático.
Em um último ponto sobre as batalhas, cheguei a comentar sobre a World Tarot, mas existe a Charot Tarot. Com ela você pode voltar no tempo (até 50 turnos) da luta para refazer alguma ação, perfeito para aqueles momentos em que percebeu que a estratégia não deu certo.

Tavernas e fofocas
Por fim, tavernas não possuem a opção de equipar/comprar automaticamente o melhor conjunto para as unidades como no FFT, entretanto trazem um sistema de craft para fortalecer seu equipamento, que inclusive é BEM menor, meus magos foram com a mesma armadura inicial fortalecida praticamente até o fim do jogo porque não havia mais nada de diferente. E fofocas (os rumores das tavernas) são acessados diretamente do menu, funcionando como radares de quests secundárias também.
Visual
Normalmente seria complicado comparar o visual de um remaster desses com um jogo mais antigo, logo irei me atentar a apenas mostrar mais uma imagem com uma interação fora de batalha e dizer que todo o jogo é devidamente dublado (mas não localizado em pt-br, infelizmente).
Em relação a sua versão de PSP, TOR não trouxe um avanço muito brusco, sendo a principal melhoria o refinamento da UI como um todo, que visivelmente não poderia continuar pelo fato da diferença entre os tamanhos das telas.

Música
Ok, aqui a gente fica sério. Agora vem a parte realmente importante.

Masaharu Iwata e Hitoshi Sakimoto. Sim, as lendas que trabalharam no Final Fantasy Tactics e XII foram as mesmas pessoas que cuidaram da trilha sonora do TO original, então podemos tratar como se fosse o campo de experimentos que anos depois resultariam nas músicas maravilhosas estrelando em meio a Guerra dos Leões. A essência está ali, mas como bem trazido pelo jogo, para o Reborn a dupla praticamente não participou, deixando o arranjo a cargo de outros, como mostrado neste jukebox, disponibilizando os nomes junto com um comentário acerca do trabalho (inclusive, pobre Watanabe, passou por boas crises para conseguir captar a ideia da dupla original). Isto resultou em algo perdido na minha opinião. Não me levem a mal, as orquestras são lindas, mas ao escutar as versões anteriores, principalmente de PSP, foi como se parte do tempero tivesse sumido. Imagina que sua mãe fizesse um prato usando tarê, presunto e requeijão, uma combinação nada comum, mesmo assim é o sabor que você veio aprender a identificar como bom. As músicas antigas podem ser mais pesadas, rústicas, mas para mim, eram mais sinceras.
Considerações finais

Trazendo uma abordagem com vários desdobramentos possíveis de uma guerra com um sistema de experiência bastante acessível no quesito de criar novas unidades, Tactics Ogre Reborn trará novos desafios e comodidades aos fãs de longa data de Final Fantasy Tactics enquanto nos apresenta ao som de compositores conhecidos uma escala maior de combate.
Não há mais nada a se falar a não ser: JOGUEM! 😀 (E SOFRAM COMO EU SOFRI!)
É isto, pessoal, tentei abordar certos pontos de interesse como jogador de longa data de Disgaea e jogos táticos afins. Estudarei a possibilidade de um guia de iniciante como feito anteriormente para o nosso xodó de Ivalice. No mais, さらばだ!
Esse texto é uma contribuição do player Arius Serph @ Behemoth.